UTILIZAÇÃO DO PORTFÓLIO NA AVALIAÇÃO DO ENSINO A DISTÂNCIA
Acreditamos que as vozes dos especialistas em avaliação que apregoam a quebra dos velhos paradigmas já estejam sendo ouvidas e compreendidas. A avaliação da aprendizagem está vivendo uma nova era, em que poucos são aqueles docentes que ainda ignoram as características de uma avaliação da aprendizagem democrática, justa, qualitativa e significante. Outros, também muito poucos, além de conhecer os novos paradigmas, já estão à procura de novas formas, de novas técnicas e novos instrumentos que permitam colocar a teoria em prática. Este trabalho versa sobre o portfólio, uma técnica que acreditamos constituir um caminho adequado para a avaliação continuada, de grande utilidade na avaliação qualitativa e especialmente na avaliação do ensino à distância.
O PORTFÓLIO – SUA CONSTRUÇÃO E SUAS VIRTUDES
O portfólio consiste, na sua essência, de uma pasta individual, na qual são colecionados os trabalhos realizados pelo aluno, no decorrer dos seus estudos de uma disciplina, de um curso, ou mesmo durante alguns anos, como ao longo de um ciclo de estudos. Gardner (1995) o define como um local para colecionar todos os passos percorridos pelo aluno ao longo da trajetória de sua aprendizagem.
A coletânea de trabalhos, provas, exercícios, contidos na pasta individual, permite construir, entre outras coisas, o perfil acadêmico do aluno, refletindo o ritmo e a direção de seu crescimento, os temas de seu interesse, suas dificuldades e o potencial a ser desenvolvido.
Além de sua própria produção acadêmica, o aluno é incentivado a colecionar, no portfólio o registro de suas reflexões e impressões sobre a disciplina ou curso, opiniões, dúvidas, dificuldades, reações aos conteúdos e aos textos indicados, às técnicas de ensino, sentimentos, situações vividas nas relações interpessoais e outros aspectos. No momento devido, todo esse material colecionado poderá oferecer subsídios para a avaliação do aluno, do professor, dos conteúdos e das metodologias de ensino, assim como para estimar o impacto da disciplina, curso ou programa educacional.
Os dados e impressões devem ser registrados diariamente, o que imprime à coletânea de documentos contidos no portfólio um significado muito mais amplo e realista, do que as informações que resultam de avaliações pontuais realizadas em situação de exame. De fato, as anotações diárias, que poderíamos chamar de o diário do aluno, fornecem uma imagem em movimento contínuo, identificando o percurso caminhado. Além disso, a ordem cronológica da produção aponta o ritmo e o sentido do desenvolvimento, enquanto as provas constituem a expressão de um momento, a imagem estática de um instante da vida acadêmica.
Esse sentido dinâmico do portfólio levou Gardner (1995) a propor que sua denominação fosse substituída para processo-fólio. Sem adotar a sugestão do autor, consideramos o portfólio o instrumento que mais se adequa, tanto ao princípio da avaliação como um processo contínuo, como ao princípio da avaliação integral.
Por possuir um lado pouco formal, o portfólio pode incluir notas alternativas, comentários e reflexões que permitem resgatar e comparar o caminho da aprendizagem, identificar os bloqueios, os obstáculos vencidos, as formas utilizadas para enfrentar e superar as dificuldades.
Observe-se que a análise do portfólio deve considerar a coletânea de dados como um todo, e a perspectiva do aluno que está no centro do processo, fazendo predominar as funções diagnóstica e formativa, e abandonando a concepção de avaliação quantitativa, ligada a padrões pré-definidos, muitas vezes construídos para justificar práticas seletivas e mecanismos de exclusão.
Nessa perspectiva, percebe-se que a avaliação por meio do portfólio está em perfeita consonância com princípios da abordagem Construtivista, tais como: o conhecimento é construído; a construção do conhecimento se efetiva por meio de experiência vivida pelo próprio aluno; o contexto cultural e social em que a experiência se processa é que determina a forma como o conhecimento é construído.
Na visão construtivista, o conhecimento construído reflete a realidade da perspectiva do aluno que o construiu, ou seja, o conhecimento provém da atividade do aprendiz e tem se construído em relação com a sua ação e sua experiência do mundo (Clancey, 1991). Temos então que, se os alunos ocupam diferentes contextos, os saberes por eles construídos resultam de processos de aprendizagem diferentes. Sendo assim, não haveria conhecimento homogêneo e, portanto, a avaliação não pode se basear em padrões pré-estabelecido.
Geraldo51
Muito bom o texto, Geraldo. Muito bem escrito, com uma linguagem clara e objetiva. Gostei muito do que fala sobre a avaliação.
ResponderExcluirParabéns pela escolha.